Mauricio Arruda e os Decornautas no evento da AH!SIM

Mauricio Arruda
Mariane Cunha
Aristela Paz
Allex Colontonio
André Rodrigues
João Mansur
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“Nenhum arquiteto deve ser o protagonista de uma reforma. Cabe a ele encontrar algo que faça sentido para o morador para que este assuma o protagonismo”, defende Maurício Arruda, arquiteto responsável por executar e apresentar as transformações nos ambientes apresentados pelo programa Decora, da GNT.

Centro das atenções em evento realizado pela Ah!Sim, escritório especializado em reformas, na última quinta-feira, 30, ele acredita que tal ideia é hoje uma exigência de mercado. “É uma demanda que cresce em todos os segmentos. A gente tem que descobrir o DNA de cada cliente para contar a história dele”, disse.

Ao lado de Mariane Cunha, administradora e sócia-diretora da Ah!Sim, que apresentou o que acontece por trás das câmeras do Decora, Arruda discorreu ainda sobre como encarar uma reforma e como práticas simples de sustentabilidade podem evitar a produção de muitos resíduos.

Toque humano

Para dar a cara do morador a uma casa que está sendo reformada, Arruda faz questão de ter uma convivência intensa com o cliente, de modo que ele possa trazer elementos mais humanos para transformar o imóvel. “O segredo não está no meu repertório, mas na história das pessoas. Esse é o grande caminho. O ponto principal de uma reforma é a história e eu gosto de mergulhar nela”, afirma.

Embora seja esse o objetivo que Arruda persegue, muitas vezes o cliente não tem ideia desse seu importante papel. “Muitas vezes a pessoa vai atrás da assinatura de um profissional, mas isso não é tão importante. O trabalho do arquiteto é customizar. Não é o lugar para eu contar a minha história. O mercado aponta para isso e nós temos que nos desprender de vaidade”, explica o arquiteto.

Pensamento racional

Uma reforma bem-sucedida, por sua vez, depende de um planejamento minucioso e, desde que tudo esteja organizado, Arruda conta que não há motivos para temer uma reforma. “Tudo é uma questão de programação prévia”, diz.

Um retrato disso são as próprias obras feitas para o Decora, que já teve projetos que foram planejados durante 50 dias para serem executados em cinco. “O mercado está crescendo e exige uma previsibilidade maior cada vez maior. Sempre tem um budget e um prazo que precisa ser cumprido”, completa Arruda.

Descoberta pessoal

Apesar de uma reforma exigir esse planejamento rigoroso, Arruda alerta que ela não se resume só a uma planilha de gastos e prazos. “O período da obra é um momento para você se redescobrir. É uma oportunidade que você tem de passar a sua vida limpo e se olhar no espelho”, conta. Em alguns casos a mudança na vida dos moradores pode ser tão grande que eles começam a obra gostando de uma coisa e, no fim, optam por coisas totalmente diferentes do que pensaram inicialmente. “Isso obviamente dá mais trabalho, mas se não for assim não vale a pena”, afirma o arquiteto.

Reforma sustentável

Por fim, um aspecto que é crucial para Arruda é a sustentabilidade. Com especialização em habitações de interesse social e desenvolvimento sustentável, o arquiteto desenvolve pesquisas nessa área há quase 20 anos. Segundo ele, hoje já existe uma preocupação maior com a destinação correta de resíduos de uma reforma, além, inclusive, de evitar movimentos desnecessários e muito entulho. “Os processos não sustentáveis se tornaram mais caros. Em um banheiro, por exemplo, qual o sentido de empreender uma reforma para mudar a posição de um vaso sanitário em 50cm, por exemplo?”

A dica principal para isso, segundo Arruda, é montar uma rede de comunicação para o reaproveitamento. “Assim, coisas que não foram quebradas ainda podem ser utilizadas em outros lugares. É só trocar informações que a coisa já alivia muito”, conta.

Para quejm deseja conhecer mais sobre a trajetória de Arruda, ele lançou recentemente o livro Decora. Com informações e dicas sobre todos os cômodos da casa, o autor compartilha sua experiência e ajuda o leitor a descobrir seu estilo e colocar em prática a tão sonhada transformação nos ambientes. A obra custa cerca de R$ 60.